Chegada da Amazon

Avanço da Amazon agita varejo eletrônico no país

O programa da Amazon oferece aos clientes “Prime”, que são 100 milhões em todo o mundo, entrega ilimitada de produtos comprados em seu site mediante pagamento de R$ 89 ao ano ou R$ 9,90 ao mês.

11/09/2019 por Adriana Mattos e Juliana Machado

A Amazon, gigante americana com vendas anuais de US$ 233 bilhões (quase R$ 1 trilhão), está no mercado brasileiro há sete anos sem perturbar as concorrentes brasileiras. Mas ao lançar ontem seu “Amazon Prime”, promoveu um visível estrago no valor de mercado das companhias de varejo eletrônico no país. Em conjunto, Magazine Luiza, B2W, Lojas Americanas e Via Varejo perderam R$ 4,75 bilhões na bolsa de São Paulo (B3) e fecharam o dia valendo R$ 103,7 bilhões.

O programa da Amazon oferece aos clientes “Prime”, que são 100 milhões em todo o mundo, entrega ilimitada de produtos comprados em seu site mediante pagamento de R$ 89 ao ano ou R$ 9,90 ao mês. Quem assinar, receberá também acesso livre aos serviços de vídeo, música, livros digitais e jogos eletrônicos.

Apesar dessas vantagens, consultores, fornecedores e ex-executivos da Amazon ouvidos pelo Valor consideram que a companhia terá um difícil embate com as varejistas brasileiras. Entendem que o varejo digital do país avançou muito nos últimos anos, com investimentos expressivos e está habilitado para competir com a Amazon, principalmente na complexa logística brasileira. Calcula-se que a Amazon tenha faturado R$ 800 milhões no Brasil em 2018, apenas 4% das vendas do Magazine Luiza e pouco mais de 10% das do Mercado Livre.

“As ações caíram, o mercado reagiu mal, mas não é para tanto. A Amazon está oferecendo um pacote interessante, mas alguns benefícios já existem por aqui”, resume Roberto Wajnsztok, ex-diretor do Walmart.com e CEO da consultoria Origin5.

Para Richard Cathcart, analista do Bradesco BBI, a oferta da Amazon não é superior à de suas rivais em termos de prazos de entrega, custo, cidades cobertas e itens vendidos. Ele observa que os concorrentes locais também estão em “constante evolução” e cita como exemplo a entrega em até 24 horas oferecida pelo Magazine em São Paulo.


Fonte: pressreader.com - Valor Econômico

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