Crise no Oriente Médio

Em meio a crise com Talibã, explosão atinge embaixada dos EUA em Cabul

Grupo extremista ameaçou EUA após Donald Trump cancelar rodada de negociações; ninguém se feriu, segundo agência.

11/09/2019 por Redação com G1

Um projétil explodiu na embaixada dos Estados Unidos em Cabul, capital do Afeganistão, nesta terça-feira (10). Ninguém se feriu, de acordo com a agência Associated Press.

O ataque ocorre um dia depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, romper de vez as conversas com o grupo extremista Talibã, em que tentaria chegar a um projeto de paz com o governo afegão apoiado pela Casa Branca (leia mais no fim da reportagem).

No domingo, o Talibã ameaçou os Estados Unidos após Trump cancelar a reunião. Em comunicado, o porta-voz do grupo disse que os norte-americanos "vão sofrer mais do que ninguém, toda sua credibilidade se verá minada". "As perdas humanas e financeiras aumentarão." Ninguém, no entanto, assumiu a responsabilidade pelo ataque.

Além disso, nesta quarta-feira, os atentados de 11 de Setembro de 2001 completam 18 anos, o que deve reforçar o alerta das autoridades norte-americanas no Afeganistão e em outras partes do mundo.

Segundo relato da AP, uma nuvem de fumaça subiu pela noite de Cabul e sirenes foram ouvidas pela cidade. Dentro da embaixada, funcionários receberam alertas da explosão causada por um projétil - não se sabe, ainda, que tipo de armamento foi utilizado.

A representação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que fica perto da embaixada dos EUA, também foi alertada. A aliança confirmou que nenhum funcionário se feriu na explosão.

EUA rompem diálogo com Talibã

Por cerca de um ano, os Estados Unidos iniciaram uma mesa de diálogo com o Talibã e o governo do Afeganistão para cessar o conflito que se arrasta há mais de uma década no país. As conversas, entretanto, encerraram-se abruptamente.

Trump cancelou uma conversa - que seria secreta - após um atentado em Cabul resultar na morte de um militar norte-americano.

"Que tipo de pessoas matam tanta gente para conseguir uma aparente vantagem nas negociações? Fracassaram. Só conseguiram piorar as coisas!", tuitou o presidente.

"Se são incapazes de aceitar um cessar-fogo durante estas negociações de paz tão importantes, e estão, inclusive, dispostos a matar 12 inocentes, é porque, provavelmente, não têm capacidade de negociar um acordo significativo. Por quantas décadas querem continuar combatendo?", questionou.

O 11 de Setembro é considerado um dia sensível nas relações EUA-Afeganistão, principalmente em Cabul. Após o atentado em 2001, uma coalizão liderada pelos norte-americanos derrubou o Talibã, que controlava o país asiático e encobria o terrorista Osama Bin Laden, líder da Al-Qaeda e articulador dos ataques.

Em quase 18 anos, o número de militares dos EUA no Afeganistão chegou a atingir 100 mil. Esse contingente passou a cair após a morte de Bin Laden no Paquistão, em 2011.

Hoje, cerca de 14 mil militares permanecem no Afeganistão. Trump pretende retirá-los de lá por considerar o longo período da operação e pelo montante de dólares gastos.


Fonte: Gazetaweb.com

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