Votação ainda está em andamento

STF enterra o tempo dentro do próprio tempo.

Mas não existem surpresas dentre tantos vivos e mortos.

07/11/2019 por Por Raul Rodrigues

Eis que acompanhar as opiniões e votos dos senhores ministros do Supremo Tribunal Federal é uma viagem pelos cemitérios dos in memoriam juristas não somente do Brasil como também do mundo. É uma pregação ao passado de quem pelas palavras dos senhores ministros deveriam está presente para declinarem seus votos, mesmo que baseados no tempo de outrora e não do atual. Se a justiça não se atualiza como atualizar os homens?

Também é deveras irritante assistir a declarações de hermenêuticas casuísticas quando se diz que tal declaração irá ferir ao anseio de um povo. Fala do ministro Celso de Melo ao se referir que determinados votos – opiniões decisivas – irão contrariar ao senso comum, mesmo em se sabendo que dentre o “senso comum” estão centenas ou milhares de opiniões de juristas renomados e de elevada estima e respeito do mundo causídico internacional.

E também é tradutor da angustia sabermos que dentre os próprios ministros e ministras – maiores “entendedores” do Direito Pleno – pairem as mesmas dúvidas que recaem por sobre as cabeças do povo brasileiro. É quase um desafio ao pleno entendimento do que é certo ou errado ao mesmo tempo.

Se um Supremo Tribunal Federal passa mais de trinta anos para decidir se a prisão em segunda instancia é legal e moral, imaginem senhores e senhoras leitores e leitoras que tipo de ministros temos nós? E a resposta vai direto ao ponto: “ao rebuscarem as opiniões dos mortos, o que sabem eles”? Eles enterram o tempo dentro do próprio tempo!
 


Fonte: correiodopovo-al.com.br

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