Ações monitoradas

Gestão Doria quer gravar ações policiais

Doria muda discurso e quer gravar todas as ações da PM.

06/12/2019 por Felipe Resk

Cinco dias após a operação policial em um baile funk que terminou com 9 mortos e 12 feridos, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse ontem ter ficado chocado ao assistir ao vídeo de uma agressão anterior em Paraisópolis, mudou o discurso e admitiu, pela primeira vez, a possibilidade de revisar protocolos das polícias. A gestão ainda quer usar câmeras nas fardas e viaturas, além de drones para filmar todas as operações futuras.

Na segunda-feira, Doria havia declarado que os procedimentos da Polícia Militar seriam mantidos e não culpou os agentes pela ação em Paraisópolis, embora a versão oficial fosse contestada por moradores. Três dias depois, no entanto, o governador evitou fazer críticas aos pancadões e admitiu a possibilidade de ajustes na conduta policial. “Se existirem falhas, e elas forem apontadas, aqueles que falharam serão punidos”, afirmou, em evento no Palácio dos Bandeirantes. “Independentemente disso, a Polícia Militar e a Polícia Civil já foram orientadas a rever protocolos e identificar procedimentos que possam melhorar e inibir, senão acabar, com qualquer perspectiva da utilização de violência e de uso desproporcional de força.”

Divulgada nesta semana, uma gravação mostra um PM usando um objeto contundente para bater em jovens que saíam de uma viela de Paraisópolis. No vídeo, o policial agride até um rapaz de muletas. Depois, começa a sorrir. “Aquele policial não representa a melhor Polícia Militar do País e tristemente fez mau papel”, disse Doria.

Filmagens. “Todas aquelas operações que estão planejadas ou em curso serão gravadas, porque isso, acima de tudo, protege a ação do policial e esclarece àqueles que estão no comando se há alguma possibilidade de ajuste ou não”, afirmou o secretário da Segurança Pública (SSP), o general João Camilo Pires de Campos.

Para a gestão Doria, o uso dessas tecnologias poderia ter evitado, por exemplo, o conflito de versões em Paraisópolis. Enquanto a PM afirma que o tumulto no baile funk começou após dois criminosos em uma moto passarem atirando, os moradores dizem que foram os próprios policiais que teriam provocado a tragédia ao tentar realizar uma dispersão truculenta.

Segundo o governo, os drones serão distribuídos entre todas as regiões do Estado. Eles devem ser aplicados, ainda, em ações preventivas e em investigações de crimes. O Corpo de Bombeiros e a Polícia Ambiental também receberão os equipamentos.

Com testes iniciados neste ano, Doria pretende anunciar mil body cams nas próximas duas semanas. Segundo o governador, o modelo é inspirado em polícias internacionais, a exemplo dos Estados Unidos, Israel, Inglaterra e Japão. Doria afirma que os equipamentos serão georreferenciadas e será possível saber onde o policial se encontra. “Tudo o que ele está fazendo a câmera que está no uniforme transmite ao vivo para a central”, disse.

Comissão. O governador ainda vai criar uma comissão externa, formada por membros da sociedade civil, para acompanhar a investigação. A proposta era uma reivindicação de parentes de vítimas da tragédia e ONGs.


Fonte: pressreader - O Estado de S. Paulo

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