Cúpula do Mercosul

Para Bolsonaro o bloco não pode perder tempo, nem aceitar retrocessos

Jair Bolsonaro e Mauricio Macri, presidente da Argentina, mandaram recados ao presidente eleito Alberto Fernández

06/12/2019 por FOLHAPRESS

BUENOS AIRES, ARGENTINA (FOLHAPRESS) - Na abertura do encontro presidencial da Cúpula do Mercosul, em Bento Gonçalves, os presidentes Jair Bolsonaro (Brasil) e Mauricio Macri (Argentina) mandaram recados ao presidente eleito da Argentina, o centro-esquerdista Alberto Fernández.

Bolsonaro disse que o bloco "não pode perder tempo, nem podemos aceitar retrocessos ideológicos". E enfatizou a necessidade de enxugar ainda mais a estrutura do Mercosul e de reduzir a TEC (tarifa externa comum).

Macri reforçou a mensagem, indicando que os avanços de seu período à frente da Argentina, em que foram assinados o acordo com a União Europeia e com o EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio), deveriam continuar. Seu sucessor, Fernández, tem críticas e quer revisar ambos os tratados. "Não se deve abandonar o que avançamos no Mercosul", afirmou Macri.

Já o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, a quem Bolsonaro chamou de "meu irmão paraguaio", agradeceu ao brasileiro por seu "apoio quando houve uma ameaça a nossa democracia", referindo-se ao processo de impeachment contra ele, em agosto, que foi interrompido por pressão do Brasil.

Após os discursos de todos os presidentes e das assinaturas de tratados, Jair Bolsonaro, até aqui presidente pro-tempore do Mercosul, entregou o martelo para o presidente paraguaio, que herdará a presidência no próximo semestre. É comum, no Mercosul, quando a presidência pro-tempore passa de um país para outro, que o entrante dê uma martelada num pedaço de madeira.

Depois que Abdo Benítez fez o gesto, Bolsonaro, sem notar que os microfones de tradução simultânea seguiam ligados, disse: "Quero continuar presidente, não dá pra dar um golpe, não? Tudo quando eles perdem, diz que é golpe (sic). É impressionante, né?".

A Bolívia foi um dos temas tratados na abertura. O Uruguai foi a voz dissonante, definindo o que ocorreu no país andino como "um rompimento institucional", nas palavras da vice-presidente, Lucía Topolansky. E acrescentou: "não podemos atuar como se o Mercosul fosse um paraíso, não é, estamos num contexto regional preocupante, em que vários países estão vivendo conflitos institucionais, com violações dos direitos humanos e perda de vidas".

Topolansky, assim como havia feito o chanceler uruguaio Nin Novoa no dia anterior, chamou a atenção para a maturidade da democracia uruguaia como exemplo para a região. "Ganhou quem nos fazia oposição. Mas, na próxima reunião, quem estará aqui será um uruguaio, porque em meu país, uruguaios somos todos e o Uruguai é um só."

Macri disse que valorizava o papel da senadora Jeanine Áñez que, "como presidente interina, que está buscando a paz democrática em seu país, adotando um caminho constitucional, liderado pelo Congresso".

A chanceler do governo interino de Áñez, Karen Longaric, afirmou que "não houve golpe na Bolívia", pois se tratou de uma decisão do Congresso. "As autoridades que renunciaram tiveram de fazê-lo por conta da pressão que os cidadãos fizeram, pacificamente, saindo às ruas em desaprovação de uma reeleição ilegal".


Fonte: NotíciasAoMinuto

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