Medidas de distanciamento já salvaram 59 mil

Medidas de distanciamento social já salvaram 59 mil vidas em 11 países europeus, diz estudo

Nova pesquisa analisa os impactos de quarentenas em massa, com fechamento de escolas e do comércio e proibição de aglomerações, em locais como Itália e Espanha

31/03/2020 por Ana Lucia Azevedo

RIO - Novo estudo do mesmo grupo do Imperial College, de Londres, que tem servido de referência para as projeções sobre o avanço da pandemia de Covid-19 no mundo, afirma que as medidas de distanciamento social já salvaram 59 mil vidas em 11 países europeus.

O estudo foi apresentado hoje e mede o impacto das medidas de distanciamento social, como as quarentenas em massa com fechamento de escolas e do comércio e proibição de aglomerações. Os países analisados são Itália, Espanha, Noruega, Reino Unido, França, Alemanha, Suécia, Bélgica, Dinamarca, Suíça e Áustria.

Em seu estudo, eles dizem que a redução do ritmo de crescimento de mortes por dia na Itália observado agora é consistente com o impacto das intervenções radicais de distanciamento social decretadas em 9 de março.

Nos demais países, as medidas foram tomadas, em sua maioria, entre 12 e 14 de março. Na Itália, eles estimam que a taxa de transmissão agora chega a 1, o número considerado patamar para conseguir controlar a pandemia.

“Muitas mortes mais poderão ser evitadas se as medidas de contenção severas continuarem em vigor até a taxa de transmissão caia em todos os países europeus”, disseram os pesquisadores, liderados pelo epidemiologista Neil Ferguson.

Eles estimam que, nos 11 países, até 43 milhões de pessoas tenham sido infectadas com o Sars-CoV-2 até 28 de março, o que representa até 11,43% da população dessas nações.

Segundo eles, há um período de três semanas até que o impacto das medidas de contenção possa ser observado na taxa de mortalidade. No Brasil, o impacto não pode ser calculado com precisão científica porque há pouco tempo desde as medidas de contenção em maior escala, iniciadas apenas na semana passada. O isolamento deve ser feito por quem pode ficar em casa, para que os que não podem, possam trabalhar com segurança, como profissionais da saúde, transporte, abastecimento e fábricas"

As projeções têm maior grau de certeza, de 95%, para a Itália, mas menos pelos demais países, onde as medidas de contenção foram determinadas depois.

Como faltam dados para a maioria dos países devido à falta de testagem em massa e ao grande número de infecções não detectados pelos sistemas de saúde, os epidemiologistas do Imperial College optaram por estimar o curso da pandemia a partir do número mortes observadas.

O Sars-CoV-2 começou a ser detectado na Europa no fim de janeiro, mas os casos só explodiram em março. Os países reagiram com diferentes medidas de contenção.

Alguns as impuseram tardiamente, como a Itália e a Espanha, que estão em estágio mais avançado da epidemia e agora têm o maior percentual da população infectada. Outros, como a Alemanha e a Noruega, determinaram mais cedo medidas de distanciamento social.

“É crucial que as atuais medidas de intervenção continuem em vigor e que o número de casos de infecção e morte sejam rigorosamente monitorados nas próximas semanas, para que possamos saber se a transmissão do Sars-CoV-2 está diminuindo”, salientam os autores do estudo.


Fonte: oglobo.globo.com

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