'baseada no respeito'

Maduro diz que aceitaria conversa com Trump 'baseada no respeito'

Em entrevista no domingo, presidente dos EUA não descartou diálogo com presidente venezuelano, embora tenha dito que reunião seria para debater 'saída pacífica' do poder.

23/06/2020 por Redação

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta segunda-feira (22) que aceitaria se reunir para conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, desde que houvesse "respeito" durante o diálogo.

"Minha resposta é que, assim como me reuni com (Joe) Biden e conversamos longamente e de maneira respeitosa, o que foi registrado naquele momento, também no momento que seja necessário estou disposto a conversar respeitosamente com o presidente Donald Trump. Da mesma maneira como falei com Biden, posso falar com Trump", disse Maduro, segundo a Agência Venezuelana de Notícias.
Maduro se encontrou com Joe Biden, então vice-presidente dos EUA, em 2015, no Brasil, durante a posse da ex-presidente Dilma Rousseff. Na ocasião, ele pediu "respeito à Venezuela".

Durante entrevista no domingo ao site Axios, Trump também demonstrou frieza ao se referir a Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, que se autodeclarou presidente interino e foi reconhecido por mais de 50 países.

As declarações podem indicar uma mudança na política americana com relação à Venezuela nos últimos meses já que o governo americano foi o 1º a declarar apoio à iniciativa de Guaidó em janeiro de 2019.

Quando questionado sobre a possibilidade de se encontrar com Maduro, Trump respondeu:

"Poderia pensar nisso. Maduro gostaria de se reunir. E eu nunca me oponho às reuniões. Sempre digo que se perde muito pouco com as reuniões. Mas, até agora, eu as recusei", disse Trump, segundo trecho da entrevista divulgado pelo Axios.
Nesta segunda-feira, Trump afirmou no Twitter que o seu encontro com presidente venezuelano seria apenas para discutir “uma saída pacífica [de Maduro] do poder”.

Falta de confiança em Guaidó
Na entrevista ao site Axios, Trump mostrou suas reservas em relação ao autoproclamado presidente interino e "indicou que não ter muita confiança" já que ele teria falhado em controlar o país apesar do apoio internacional que recebeu.

“Guaidó foi eleito. Eu acho que eu não era necessariamente a favor, mas eu disse ‘algumas pessoas gostavam dele, outras não’. Soou ok para mim. Não acho que tenha sido muito significativo de uma maneira, ou de outra", disse Trump.

As declarações de Trump coincidem com a publicação desta semana de um livro de memórias de John Bolton, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Trump, e que tem causado alvoroço nos Estados Unidos. Nele, Bolton mencionaria Venezuela e Guaidó.

Segundo trechos publicados pelo Axios, Bolton escreveu que Trump tinha suas dúvidas sobre Guaidó desde o início, pois o considerava "uma criança" na frente de Maduro, cuja imagem era "forte".

Respondendo a uma pergunta sobre se ele se arrependia da decisão de apoiar Guaidó, como sugere Bolton em seu livro, Trump disse: "Eu poderia ter vivido com e sem Guaidó, mas eu era muito contra o que estava acontecendo na Venezuela".

Desde janeiro de 2019, os Estados Unidos lideram uma campanha internacional para tirar Maduro do poder. Washington considera fraudulenta sua reeleição em maio de 2018 e atribui a Maduro uma corrupção generalizada no país, além de graves violações dos direitos humanos e o colapso econômico dessa antiga potência do petróleo.

Apesar de uma bateria de sanções, Maduro permanece no poder com o apoio particular da Rússia e da China.


Fonte: g1.globo.com

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